
As mulheres lutaram muito para terem seu espaço no mercado de trabalho e conseguiram. O problema é que junto com essa conquista elas também adquiriram mais responsabilidades e mais funções. Além de cuidar do marido e dos filhos, elas tiveram que dividir as tarefas domésticas com o trabalho secular, fora de casa. Mostraram que são capazes de exercer funções, antes só realizadas pelos homens, apesar de ganharem menos que eles.
Como o instinto materno fala mais alto, muitas mulheres que têm filhos e trabalham fora de casa se sentem realizadas profissionalmente, porém carregam sentimento de culpa. Por quê? Porque passam muito tempo longe dos filhos e quando se dão conta, eles ja cresceram, explica a gestora em RH, Vianei Altafin. Para tentar amenizar esse sentimento penoso, muitas mulheres preferem trabalhar meio período. Pelo menos foi o que apontou um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew e pela Pesquisa General Social, que analisam as tendências sociais desde 1972 com mais de 1500 mulheres, na qual registrou que mais de 60% das mães que trabalham fora de casa prefeririam trabalhar apenas em meio período. Entre os pais esse dado é menor (19%). Outra pesquisa realizada pelo Ibope e publicada no Estadão Online, com as chamadas Mães Contemporâneas, aponta que 51% das brasileiras são mães, e 67% delas estão no mercado de trabalho. Do total de mães, 68% consideram difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento.
Segundo a gestora em RH, Vianei Altafin que também é empresária e mãe, mesmo diante de tantos desafios, as mulheres gostam de trabalhar fora de casa e ganhar seu próprio dinheiro. Ela explica que hoje as mulheres são mais independentes e não querem contar com o dinheiro do marido e que é possível conciliar o trabalho com a vida fora dele. Como? “A dica é planejar as atividades, ser organizada, estabelecer metas atingíveis e administrar bem o tempo para o trabalho, para a família e para nós mesmas”.
Vanessa Vilarinho, de 29 anos, é um exemplo de superação. Ela é o que chamamos de mulher mãe, esposa, professora, conselheira, dona de casa, vendedora. Tudo porque, assim como muitas mulheres, assume múltiplas funções sem deixar a peteca cair. Vanessa tem três filhos. Cayo de sete anos, Anny de dois e o mais novo, Théo, de um mês. Agora, Vanessa está de licença maternidade, mas sua vida é uma correria e tanto. Sua rotina começa cedo. Precisa dar almoço ao Caio e a Anny e deixá-los na escola, isso com o pequeno Théo junto. Quando voltar ao trabalho a correria será ainda maior. Mesmo diante dessa vida sem trégua e descanso, Vanessa não se arrepende de ter tido os três filhos e nem abre mão do trabalho fora de casa. “Eles são a razão do meu viver. A gente precisa arrumar tempo para tudo, afinal trabalhamos para dar a eles o pão de cada dia. Hoje, junto com o marido, a mulher tem um papel muito importante no orçamento familiar também. Sempre trabalhei fora, não me vejo longe do mercado de trabalho”, disse Vilarinho.
A pedagoga Julia Agostinho, de 27 anos está grávida do primeiro filho. Ela trabalha meio período numa empresa de locação de veículos e disse que quando o bebê nascer, não pretende deixar de trabalhar. “Quero conciliar a maternidade com o trabalho. A mulher sente vontade de ser mãe e não deve abrir mão disso, mas acredito que as mulheres têm que aproveitar o que conquistaram ao longo dos anos para ser feliz no trabalho fora de casa também, se assim desejar. Se achar que um dia eu deva dedicar exclusivamente às tarefas do lar e do meu filho, meu marido vai me apoiar”, afirma a pedagoga.
Para a gestora de RH, Vianei Altafin assim como as mulheres conquistaram espaço fora do lar, os homens conquistaram seu espaço dentro dele. Hoje, é muito comum os maridos colaborarem com as atividades domésticas, assim como é natural, as despesas serem compartilhadas. “Na maioria das famílias, todos trabalham a quatro mãos. Não há mais separação de tarefas, nem dentro e nem fora do lar”, finaliza Altafin.

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